Presidente do STF abre seminário que discute desafios do uso da IA no Judiciário do Brasil e da Itália

Segundo Fachin, resposta aos desafios não pode paralisar a inovação; ela deve ser feita por meio de uma “experimentação supervisionada”

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, abriu, na manhã desta terça-feira (1º), o II Seminário Brasil-Itália da Rede Internacional sobre Sistemas de Justiça e Democracia. O encontro reúne integrantes do Judiciário e da academia dos dois países para discutir os impactos da inteligência artificial na atividade jurisdicional e os desafios que as novas tecnologias impõem à magistratura.

Segundo Fachin, a transformação em curso na rotina dos tribunais brasileiros e italianos impõe uma questão comum: definir os limites do uso da IA sem comprometer o julgamento humano. “Delegar-lhe a decisão não seria modernizar o processo, mas subtrair-lhe o fundamento”, afirmou.

Ele lembrou que, no Brasil, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estabeleceu, em 2020, as primeiras diretrizes éticas para o uso da IA como apoio à gestão processual. Em 2025, uma atualização passou a prever requisitos de auditoria, rastreabilidade, supervisão humana e responsabilização, mantendo a decisão jurisdicional como ato humano. O ministro observou que a Itália também adotou normas para enfrentar o tema, que serão compartilhadas nos debates.

O presidente do STF citou riscos concretos, já documentados nos dois países, que desafiam a magistratura, como citações jurisprudenciais inexistentes, vieses discriminatórios reproduzidos a partir de bases de dados históricas e a opacidade dos modelos. Na sua avaliação, porém, a resposta a esses riscos não pode paralisar a inovação. O caminho é o da “experimentação supervisionada”, em ambientes controlados, por meio de ferramentas certificadas, capacitação da magistratura e comitês técnicos e éticos permanentes.

Ao final, o ministro definiu o seminário como um exercício de “responsabilidade frente ao presente”. Segundo ele, cabe à jurisdição constitucional, em diálogo com a academia, “formular hoje os critérios que poderão evitar, amanhã, que a eficiência tecnológica se converta em erosão silenciosa de garantias que levaram séculos para se consolidar”.

Também participaram da mesa de abertura os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça; Roberto Romboli, integrante do Conselho Superior da Magistratura da Itália; Marcelo Labanca, da Rede Sistemas de Justiça e Democracia; e a secretária de Altos Estudos do STF, Christine Peter.

Programação 

Magistrados e professores brasileiros e italianos participarão das quatro mesas de debates, que abordarão os seguintes temas: governança e estrutura do Poder Judiciário; princípios constitucionais e marco normativo; experiências de inteligência artificial no Brasil e na Itália; e inteligência artificial, espaço digital e riscos para a democracia.

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, realiza a conferência de abertura. O ministro André Mendonça participa da primeira mesa de debates.

Confira a íntegra da programação.

Acesse o discurso do ministro Edson Fachin.

Acompanhe a transmissão do evento pelo canal do STF no YouTube.

(Cezar Camilo e Allan Diego Melo/CF)

O NABALANCANF APENAS REPOSTA A NOTÍCIA QUE SE FEZ PÚBLICA SEM TECER QUALQUER COMENTÁRIO A RESPEITO DA MATÉRIA OU SE RESPONSABILIZAR PELA MESMA. TEM O CUNHO MERAMENTE INFORMATIVO.
Via
II Seminário Brasil-Itália da Rede Internacional Sobre Sistemas de Justiça e Democracia. Foto: Rosinei Coutinho/STF
Fonte
STF

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