Pacificação do rock e da toga expõe vicissitudes do músico e do operador do direito

Mistura de Zeca Aquino e Xavier de Aquino.

 

Não importa quais dos nomes aparecem em primeiro plano no dia a dia do decano do Tribunal de Justiça de São Paulo: Zeca Aquino e Xavier de Aquino (nome regimental) são a mesma pessoa. Crescido entre a música e o meio jurídico, José Carlos Xavier de Aquino, em certa época da vida, esqueceu o lado artístico porque àquela época músico era tido como boêmio e tantos outros adjetivos não condizentes com os hábitos dos que escolhiam a área jurídica como profissão.
“Em 1974, decidi encerrar o ciclo musical. Abandonei de vez o instrumento, joguei fitas e mais fitas de gravador de rolo com gravações inéditas de minha autoria, afastei-me dos meus amigos músicos, sempre com medo de que tivesse esse meu ‘segredo’ divulgado. Mergulhei de cabeça nos estudos voltados ao concurso de promotor público (como era denominado na época o cargo de promotor de Justiça)” conta Xavier de Aquino, que ingressou no Ministério Público no ano seguinte.
Fatos relativos à infância, juventude e vida, digamos “madura”, são descritos, pelo hoje desembargador mais antigo do TJSP, em sua autobiografia, que em breve será lançada: “Do rock and roll à toga: memórias, sonhos e realidades”. Apesar do pacto feito consigo – o de esquecer de vez seu lado musical –, o filho de Dona Odette (pintora e poetisa) e do senhor Octacílio (diretor do Juizado de Menores) e irmão do Nelsinho (músico também e seis anos mais velho do que ele), que tinha na avó Elisa a figura de uma cantora lírica e nos tios-avós Dante e Paolo, violinistas da influente Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Zeca Aquino sofreu para se distanciar dos artistas que conhecia. A lista inclui jornalistas, músicos, apresentadores, poetas, como Paulo Bomfim. José Carlos de Morais, (Tico-Tico), Oscar Aleman (violinista argentino), Elis Regina, Eduardo Godin, Antonio Aguilar, Roberto Carlos, Hermeto Paschoal, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Waldirene, Marcos Roberto, Vanusa, Dino e Deny, Tony Campello, Miéle, Ronaldo Boscoli, Lupicínio Rodrigues, Paulo César Pinheiro, Seu Jorge, Ronnie Von, Jô Soares, David Sanborn, Ivan Lins, Pelé, Amaury Jr e tantos outros grandes nomes, alguns desses, em fotos, ilustram a obra que derruba de vez a promessa de se distanciar da música e do meio musical.
“Embora meu pai não tivesse cursado faculdade de Direito, porquanto fizera Ciências Contábeis, na Escola de Comércio Alvares Penteado, tinha uma visão ampla sobre tudo. Dizia ele: ‘faça direito, meu filho!’ […] E com esse pensamento meus pais aguardavam que a voz da razão falasse mais alto que a do coração, pois não aceitavam a ideia de sermos, meu irmão e eu, músicos ainda que amadores. Entretanto, a música, que vem do grego mousikê, não é algo que se escolhe, ao contrário, nós é que somos escolhidos por ela”. A tarefa dos pais era árdua: aos 12 anos, Zeca Aquino formou seu primeiro grupo de rock. “Os Álamos, composto por mim e meus vizinhos da Vila Mariana. Em minha casa havia um salão com vários instrumentos musicais ‘paitrocinados’, como piano, amplificadores, contrabaixo de pau, bateria, entre outros. Os ensaios, que se iniciavam à tarde e iam até à noite, eram alternados entre a música brasileira e o rock. Além das festinhas de garage nos apresentávamos em clubes como o Ipê, Rachaia e o Círculo Militar. Tocávamos também em programas televisivos com transmissão ao vivo como no “Almoço com as Estrelas, apresentado pelo casal Airton e Lolita Rodrigues, na extinta TV Tupi.
José Carlos Xavier de Aquino completará 75 anos em 2026 – serão mais de 50 anos dedicados à área jurídica. “Olhando minha vida como um todo, concluo que tudo valeu a pena. Não me arrependo de nada, faria tudo outra vez. Vislumbro a importância de exercer uma atividade paralela, que no meu caso é a música, o meu refúgio, o meu porto seguro, algo que me completa”, diz assumindo para os dias posteriores à aposentadoria o retorno integral do Zeca Aquino, carregado de disposição para compor e tocar, que durante duas décadas abdicou da música para abraçar o Direito.
Enquanto esse momento não chega, o decano do TJSP – que durante muitos anos fez suas apresentações musicais (com toda a arrecadação voltada às instituições de caridade) – compõe e aguarda a publicação da obra que, mais que uma biografia, faz com que o leitor não deixe morrer atividades que lhe dão prazer e que podem (e devem) concomitar com a profissão escolhida. Agora, Música e Direito estão pacificados.

 

Comunicação Social TJSP – RS (texto) / KS (foto) / LF (arte)
imprensatj@tjsp.jus.br

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Fonte
TJSP

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