Michel Foucault é tema de debate no Centro Cultural

A forma como a loucura foi compreendida e tratada ao longo da história, a partir das relações entre razão, conhecimento e poder, foi tema da conversa “Foucault e a invenção da loucura”, conduzida pelo professor e psicanalista Marcelo Norberto, nesta segunda-feira, 19 de outubro, no Espaço Cultura na Justiça. O encontro integrou o programa Observatório em Diálogo, promovido pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), por meio do Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa (OPFMR). A mediação ficou a cargo do diretor do Observatório, Luã Jung.

Ao longo da palestra, Norberto abordou os principais aspectos da obra de Michel Foucault sobre a história da loucura e as formas de tratamento e exclusão das pessoas consideradas “loucas”. A obra fundamental do filósofo sobre o tema é “História da Loucura na Idade Clássica”, publicada originalmente em 1961. Nela, Foucault mostra como a concepção de loucura foi construída social e politicamente a partir de relações de poder que incidem sobre aqueles que fogem à lógica da produtividade e da ordem.

A transformação do conceito de loucura ao longo do tempo

O professor explicou que a loucura não é um conceito imutável, mas foi constituída historicamente como objeto de saber, classificação e intervenção. Norberto percorreu essa transformação ao longo das épocas: no Renascimento, a loucura era associada a uma forma de conhecimento capaz de revelar verdades que escapavam à razão; na Época Clássica, passou a ser relacionada à desrazão, em um contexto de separação entre razão e irracionalidade e de práticas de exclusão e confinamento; já na Modernidade, adquiriu uma dimensão individual e passou a ser compreendida progressivamente como doença mental.

Marcelo Norberto também abordou o papel das instituições na produção e legitimação de determinados saberes, além das relações entre conhecimento, poder e mecanismos de exclusão. Para ele, o tema ultrapassa a filosofia e dialoga diretamente com questões jurídicas e sociais.

“A loucura deixa de ser uma dimensão social para se encontrar como um problema individual. O Foucault vai chamar a atenção que a figura que surge no Tribunal do Júri explicita muito a questão da loucura do nosso tempo, porque a ideia do Tribunal do Júri é que a justiça passa a ser universal”, afirmou.

VS/SF

Fotos: Rafael Oliveira/ TJRJ

 

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Fonte
TJRJ

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