‘A impunidade é a semente das novas violações’, diz pesquisadora sobre possíveis crimes de Bolsonaro na pandemia

Em conversa com Natuza Nery, a professora da USP Deisy Ventura avalia que é preciso responsabilizar as autoridades por delitos praticados durante a pandemia, para que não se repitam os erros da política de anistia adotada após a ditadura militar no Brasil.

Durante a posse do presidente Lula no último domingo (1º), a multidão que acompanhava a cerimônia da Praça dos Três Poderes, em Brasília, fez coro com as palavras de ordem: “Sem anistia”. Pouco antes, no seu primeiro discurso como presidente eleito, Lula enfatizou que haverá apuração e punição dos delitos cometidos na gestão do governo Bolsonaro da pandemia.

episódio de hoje do podcast O Assunto mostra como a fala coloca em evidência as violações atribuídas ao ex-presidente – somente no relatório final da CPI são 9 – e também a omissão em iniciar qualquer investigação pelo procurador-geral da República, Augusto Aras.

Em conversa com Natuza Nery, a professora titular de Ética da Faculdade de Saúde Pública da USP, Deisy Ventura, entende que é preciso responsabilizar os crimes cometidos durante a pandemia. A pesquisadora coordenou um estudo que analisou mais de 3 mil normas relacionadas à Covid-19 baixadas pela gestão Bolsonaro.

“Não é possível que um governo democraticamente eleito dissemine uma doença grave, dissemine notícias falsas, aja contra os governadores, contra os prefeitos, contra a sociedade civil, contra as universidades e contra a ciência. É um momento importante na história do nosso país em que precisamos de fato responsabilizar quem cometeu esses crimes para que nunca mais aconteça”, afirmou.

 

Para Deisy Ventura, “a impunidade é a semente das novas violações”, e o Brasil não deve repetir a política de anistia que marcou o fim da ditadura militar. “É chocante observar na nossa história como se fala de perdão quando ninguém pede desculpas e quando quem perdoa não é a pessoa que sofreu a violação. Essa tradição precisa ser rompida”, avalia a professora.

“Temos um péssimo exemplo das graves violações de direitos humanos que foram cometidas durante a ditadura militar. A partir de uma decisão muito equivocada, o STF acabou fazendo a interpretação da lei de anistia que engavetou a ampla maioria dos processos que precisava ser feita em relação a esse período”, conclui.

 

O NABALANCANF APENAS REPOSTA A NOTÍCIA QUE SE FEZ PÚBLICA SEM TECER QUALQUER COMENTÁRIO A RESPEITO DA MATÉRIA OU SE RESPONSABILIZAR PELA MESMA. TEM O CUNHO MERAMENTE INFORMATIVO.
Fonte
G1

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