Filme “O Vento Será Tua Herança” provoca debate sobre fanatismo e liberdade no Centro Cultural

Em 1925, um professor foi preso nos Estados Unidos por ensinar, em uma escola pública, sobre os estudos de Charles Darwin. Mais de 100 anos depois, o caso voltou ao centro do debate na Mostra de Filmes sobre o Tribunal do Júri, promovida pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), com a exibição de “O Vento Será Tua Herança”. A sessão ocorreu na sexta-feira, 16 de outubro, no Espaço Cultura na Justiça, seguida de conversa com o juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça do TJRJ Marcelo Oliveira e a presidente da Associação Advocacia Preta Carioca, Angela Borges Kimbangu.

O filme é baseado no julgamento do professor John Scopes, chamado de Bertram T. Cates na produção, processado criminalmente por ensinar a teoria da evolução de Charles Darwin em uma escola pública do Tennessee. Dois grandes advogados se enfrentaram: um político fundamentalista que sustentou a acusação, enquanto um advogado célebre que assumiu a defesa. Durante o julgamento, o juiz impediu a defesa de apresentar cientistas como testemunhas.

Após a exibição, os convidados debateram com o público o retrato da sociedade da época e seus paralelos com o presente, os direitos civis e a intolerância religiosa. O juiz Marcelo Oliveira destacou a atualidade do filme, produzido em 1960 a partir de eventos de 1925. Além disso, o magistrado ressaltou a presença da negação científica nos últimos anos.

“Nesse cenário em que o filme foi construído, trazendo ideias de 1925, mas produzido em 1960, a gente pode trazer tudo isso para os dias atuais. Ele é muito atual”, afirmou o juiz Marcelo Oliveira.

A advogada Angela Kimbangu traçou um paralelo entre o fanatismo religioso retratado no filme e o fanatismo contemporâneo, apontando-o como um fator que impede a reflexão e leva as pessoas a repetirem discursos sem pensar.

“A fé é algo muito particular, subjetivo. O filme traz essa reflexão sobre a intolerância e o fanatismo religioso. O fanatismo faz você parar de pensar com racionalidade, e as pessoas passam a repetir as mesmas palavras”, completou Angela Kimbangu.

VS/IA

Fotos: Renan Ribeiro/TJRJ

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Fonte
TJRJ

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