Centro CulturCentro Cultural lança biografia da sufragista negra Almerinda Gamaal lança biografia da sufragista negra Almerinda Gama

“Almerinda era uma dessas mulheres que colocava as opiniões no mundo. Ser mulher na virada do século XIX para o XX, era em um mundo feito para viver calada e silenciada. Mas ela era uma mulher que queria trabalhar e se expressar”. Assim a escritora e jornalista Cibele Tenório apresentou a história de luta e de vida da sufragista Almerinda Gama.

A autora participou de encontro literário promovido pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), no programa Do Direito à Literatura, na última quinta-feira, 1º de outubro, na Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, onde lançou o livro Almerinda Gama: a Sufragista Negra.

Almerinda Farias Gama nasceu em Maceió em 1899, se mudou para o Rio de Janeiro em 1929 e se tornou uma das lideranças da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), sendo peça central na luta sufragista brasileira. Ao chegar ao Rio, passou pela liderança sindicalista, concluiu o curso de Direito, escrevia poemas e foi uma das pioneiras na luta pelo voto feminino. Almerinda faleceu em 1999 em São Paulo.

Dupla discriminação

Cibele destacou que as barreiras do mercado de trabalho e as divisões de classe impulsionaram o engajamento político de Almerinda, que vivenciou na pele uma dupla discriminação no ambiente de escritório por ser mulher.

“A Almerinda era uma menina de classe média baixa, que virou datilógrafa e que, quando ficou viúva, trabalhava para se sustentar. O trabalho para ela não era um hobby: era sobrevivência. A Almerinda tinha uma frase que é um dos capítulos do livro A Inteligência Não Tem Sexo” afirmou a escritora.

Vencedor do Prêmio Todavia de Não Ficção, o livro, segundo Cibele Tenório, resgata a história de uma feminista negra cuja trajetória íntima se confunde com a própria história do Brasil.

A mediação ficou a cargo da chefe de gabinete da Direção, Roberta de Araújo, com perguntas e reflexões sobre a obra.
“Você traz diversos espaços dela, não apenas a importância dela para o sufrágio. Você traz a faceta dela como pianista. Ela registrou cerca de 600 músicas, escreveu poesia, publicou livro — ela foi muita coisa para ter sido apagada”, afirmou Roberta de Araújo.

VS/SF

Fotos: Felipe Cavalcanti/TJRJ

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Fonte
TJRJ

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