NOTA DE PESAR

É com imenso pesar que recebemos a triste notícia do falecimento do Professor Hélio Coelho. Neste momento de profunda dor, queremos expressar nossas mais sinceras condolências à família, amigos e colegas que tiveram o privilégio de conhecer e compartilhar momentos ao lado do Professor Hélio.

O Professor Hélio Coelho deixou um legado marcante como educador, dedicando-se incansavelmente ao ensino e ao desenvolvimento acadêmico de seus alunos. Sua paixão pelo conhecimento, sua dedicação e sua capacidade de inspirar serão lembradas por todos aqueles que tiveram o privilégio de serem seus alunos.

Neste momento de luto, desejamos que a família e os amigos encontrem conforto e força para superar essa perda irreparável. Que as boas lembranças e ensinamentos deixados pelo Professor Hélio possam servir de consolo e inspiração nesses momentos difíceis.

Expressamos nossos sentimentos de pesar e solidariedade a todos que foram tocados pela vida e pelo trabalho do Professor Hélio Coelho. Que ele descanse em paz e que sua contribuição para a educação seja sempre lembrada e valorizada.

 

Relembre um dos artigos escritos por Hélio Coelho.

ARTIGO DO PROFESSOR HÉLIO COELHO FALANDO DO ATOR TONICO PEREIRA TRAZ RECORDAÇÃO DE UM PASSADO RÓSEO NEGRO DO ATOR.

POR QUE O GRANDE ATOR TONICO PEREIRA SÓ FALA NO GOITACAZ E “ESQUECE” DO CLUBE ESPORTIVO RIO BRANCO?

Hélio Coelho

 

 

Nasci em Mussurepe, e ainda de fraldas, com meses, fomos morar em São Martinho, também na gloriosa Baixada Campista, onde papai abriu uma farmácia e tornou-se um benfeitor da região tanto como farmacêutico que era (com formação universitária) e também como vereador ali consagrado por três mandatos. Em São Martinho passei minha infância, frequentei o grupo escolar (minhas primeiras professoras foram dona Cidália e dona Maria Joaquina) e ali travei os primeiros contatos com o real e o mágico na compreensão do mundo, do ser humano e das coisas…

Aos 8 anos vim morar na cidade, na Pelinca, numa casa ao lado da Santa Casa e em frente à Praça da Bandeira. Anos 50, Anos Dourados, Colégio São Salvador e Cinema São Salvador. Nunca tivemos casa própria, éramos 7 filhos e filhas e sempre moramos de aluguel. Recebemos a melhor educação que era possível, tanto em casa quanto na escola. Papai foi um guerreiro, um lutador com sua crença nacionalista, trabalhista e dedicação ao povo trabalhador em suas lutas sociais (morreu aos 84 anos trabalhando e morando em casa alugada…) e mamãe a sua companheira de todas as horas felizes e amargas, e nossa fortaleza e inspiração pois era um esplendor de ternura e sensibilidade.. Aos 11 anos fomos morar na Rua Sete de Setembro número 294, entre a Rua do Gás e a Rua do Ouvidor. Eu menino, um garoto, adolescente até os 17 anos no tempo da Rua Sete… Um tempo de descobertas, de alegrias, de camaradagem, de amizades que até hoje permanecem, dos laços de vizinhança, de pertencimento identitário no território onde morávamos, pois para mim/nós a Rua Sete era também o conjunto das ruas ou trechos de ruas ao redor (Aquidabã, 21 de Abril, Ouvidor, João Pessoa, Andradas, Rosário. Do Gás, Miguel Herédia, Gonçalves Dias…).

Esse meu tempo na Rua Sete foi um tempo feliz sim, ainda que entrecortado pelo advento dos Anos de Chumbo que foram anunciados pela truculência do Golpe Militar e Civil de 1964 quando eu tinha 16 anos e no ano seguinte pela morte prematura de minha querida mãezinha Dona Eurice aos 45 anos, de câncer, doença que nem podíamos falar o nome… Bem, vou interromper essa narrativa por aqui, pois sobre NO TEMPO DA RUA SETE, MEMÓRIA DE UMA ÉPOCA, já comecei a me organizar para escrever com emoção e com os detalhes e ingredientes que certamente ocuparão muitas páginas. Aqui, hoje, foi só um recorte para entrar no tema principal e tentar responder a pergunta que é o título deste meu escrito.

 

É que nesse tempo, ali pertinho de nós, havia o Clube Esportivo Rio Branco, depois da Rua do Gás e pouco antes da Miguel Herédia, onde hoje é um condomínio de luxo. O Róseo-Negro da Rua Sete era um complexo esportivo com sede social e administrativa, uma quadra de basquete e futebol de salão com refletores e… Arquibancadas! Ao lado, um campinho de pelada, e adiante, o majestoso campo oficial cercado por alambrados. Lá no fundo, um muro demarcando o terreno do clube que estava sempre com um buraco aberto… Onde os de lá acessavam o clube e os de cá acessavam o Futurista Futebol Clube, referência da Lapa daquela época… Esse buraco impedia que o muro fosse mais um Muro de Berlim… Não havia discriminação por ser preto ou pobre, por ser da Rua Sete ou do Matadouro ou da Beira do Rio quando se tratava de jogar bola, pelada ou vestindo o glorioso uniforme – calção e camisa – porém… descalços, sim era assim que jogávamos no Infantil! Adversários ou companheiros de time, brigávamos pelo time, pela bola, mas nos abraçávamos e nos reconhecíamos como amigos independentemente de nossa origem social. E assim fizemos amizades que até hoje estão valendo apesar do pouco contato. Como se diz no conhecido jargão popular, éramos felizes e não sabíamos… Ah, ia me esquecendo: quando o time profissional do Rio Branco ia jogar no Goitacaz, os jogadores iam a pé, uniformizados, como guerreiros que vão para o campo de batalha, e nós íamos atrás num cortejo alegre e envolvente acompanhando nossos craques, uma verdadeira procissão de tietagem e devoção esportiva.

Também havia, no território da Rua Sete, o Campo do Goitacaz, imponente, com seu belo gramado, suas arquibancadas e possantes refletores, e assim como o Rio Branco, com seu Infantil, Juvenil e Profissional (primeiro time e “dandão). No outro extremo da cidade havia o Campos Atlético Associação, o Roxinho querido, e no Parque Tamandaré (que estava nascendo), o Americano também com as três categorias, sendo o infantil comandado por Evaristo e Carlinhos Fantasma. Na direção do IPS, achávamos longe à bessa na época, havia o Municipal.

O Futebol de Salão estava nascendo, mas isso será capítulo de outra prosa… Havia os times das Usinas e outros, avulsos, de turmas dos bairros. E aconteciam, com frequência, jogos entre o Infantil desses times, quase que uma espécie de campeonato, com uniforme, porém descalços até os 14/15 anos… E assim nós os garotos tínhamos nossa iniciação no futebol dos clubes bem como nossa iniciação na democratização de nossas relações sociais. Não se aprendia a jogar futebol em Escolas pagas, aprendíamos com bola de meia, no chute a chute ou na cabeçada (ou cabeceada?), nos terrenos baldios (eram tantos!). Com bola de borracha ou de couro nº 1… Até chegarmos ao infantil do clube de nosso coração. E o meu clube do coração, foi o Róseo-Negro, o Rio Branco, ainda que tenha passado um pouco pelo Americano e pelo Goitacaz com Chico filho de Seu Zé Policarpo e Paulinho Escovinha (era comum esse zigue-zague inicial). No Infantil do Rio Branco durante anos joguei com Eduardo Cury, Paulinho Machado, Clésio, Renato Codeço,, Pedro e Tatão, Pedro Pretinho, Carlinhos Boynard, Mundinho, Gavião,

 

Renatinho (irmão de Amarildo), Bolão, Mickey, Jarbas Vovô, Serginho, Antonio Ferreira, Birunda, Land, Ronaldo Macaca, Serginho Caolho, Marcinho, e… ANTONIO CARLOS PEREIRA- TONICO PEREIRA- NOSSO

INESQUECÍVEL “VACA BRAVA”. Ao lembrar esses nomes, inevitavelmente lembrei-me de alguns da pelada que jogávamos ali perto, Campinho do Cometa, terrenos vazios no prolongamento da Rua do Aquidabã onde havia um fiscal de rendas que era temido porque ameaçava rasgar nossas bolas que caíssem no seu quintal. Mas também havia a ternura do acolhimento na casa de Manoel onde seus avós (Seu Jacob e dona Nininha) nos acolhiam depois da pelada para um copo d’água, jogar uma água no corpo no tanque e um café com pão e manteiga…

TONICO PEREIRA morava no território, ali na Rua 21 de Abril, perto da Rua do Ouvidor, em frente à casa de Antonio Ferreira, Gracinha, Jorge e Virgínia, filhos/as de Seu Almir do Bar São Jorge. Estudava no Bittencourt, morava com a mãe numa casa no mesmo terreno de Seu Antoninho, pai de Carminha e Jorge. Desde que fui morar na Rua Sete, fomos todos/as nos enturmando, participando das coisas de nosso tempo e nossa idade, a Festa de São Salvador, o Caldo Andrade com o sorvete de creme com ameixa, a sessão das três na matinê do Goitacá, as conversas nos portões ou nas calçadas, os olhares cheios de vontade de… Em relação às meninas da vizinhança, as brincadeiras de mascarados no carnaval, a vontade de entrar nos puteiros proibidos para menores de 18 anos, a primeira tragada, o primeiro cigarro, o primeiro porre, a primeira namorada, o primeiro baile à noite pulando o muro, o primeiro barbear das penugens, enfim era um tempo cheio de ritos de passagem para os garotos e também para as meninas, ainda mais que o bispado de Campos era a restauração dos valores impostos pelo catolicismo medieval…

TONICO PEREIRA era um garoto alegre, provavelmente amava os Beatles e os Rolling Stones, era magro e sempre foi reconhecido como velocista. Há uma lenda (isso porque não me lembro… mas dizem que sim!) deixou muita gente espantada quando completou uma prova de corrida Campos-Atafona. O fato é que ELE FOI DURANTE ANOS O PONTA DIREITA DO INFANTIL DO RIO BRANCO, na

época de Novinho e Seu Felipe, quando eu era o ponta esquerda. Ele era a peça chave de uma jogada ensaiada: a bola era lançada pra ele na lateral, à altura do meio do campo, ele recebia, dava um bago (chute) pra frente e em alta velocidade partia surpreendendo a marcação, e aí ou entrava na área na diagonal ou levava um pouco mais na lateral e cruzava pra área. Era uma jogada fatal. Assim, quando ele corria atrás da bola que jogara pra frente, ele o fazia correndo com a cabeça pra baixo… Que nem uma VACA BRAVA! Daí o seu apelido… Era um companheirão, tanto no campo como no cotidiano de nossas vidas ali naquele território, querido por todos… e todas.

E por que ele não fala dessa passagem dele pelo Rio Branco?

 

Há alguns anos ele veio a Campos lançar um livro e receber uma homenagem na Câmara dos Vereadores, quando Dr. Edson Batista era o Presidente. Tive a alegria e a honra de ser convidado para fazer o discurso de saudação em nome da Câmara e do povo campista. Foi um reencontro muito bonito e emocionante. Nos abraçamos como se o tempo não tivesse passado. Na ocasião, relembrei todos esses fatos narrados acima e arrisquei uma explicação para essa paixão possessiva dele pelo Goitacaz a ponto de ignorar esse tempo que vestiu O CALÇÃO E A CAMISA do Róseo-Negro da Rua Sete. Minha hipótese é a seguinte:

-Naquele tempo, conforme já disse, havia muitos ritos de passagem, marcas e padrões de comportamento que eram verdadeiros códigos de conduta, padrões de comportamento desejados, mas cada coisa a seu tempo. Um desses ritos era, para o garoto, USAR UMA CHUTEIRA! Não é como hoje, que o pai compra uma chuteira para o filho de 8-10 anos entrar na Escolinha de Futebol. Chuteira de couro, sola de couro com cravos pregados  – ah, a cobiçada Gaeta – só depois dos 15 anos no Juvenil ou no Infanto-Juvenil. Eu recebi convite para o Juvenil, mas minha mãe, muito doente à época, pediu-me para não entrar, pois o futebol atrapalharia meus estudos… Ainda bem que atendi seu pedido pois logo depois ela se transformaria numa estrela no Céu. Mas, ele, TONICO, FOI CALÇAR CHUTEIRA NO JUVENIL DO GOITACAZ! UMA HONRA, UMA DISTINÇÃO, UMA AFIRMAÇÃO DE MASCULINIDADE E RECONHECIMENTO DE

TALENTO PARA O FUTEBOL! Com certeza isso o deixou marcado para sempre como uma tatuagem azul nas entranhas de sua carne e nas profundezas de sua alma. Ali jogou por um tempo e logo depois mudou-se para Niterói onde completou os estudos e aprofundou-se na arte dramática, apaixonando-se pelo Teatro. Daí por diante, todos/as conhecem a história: Televisão, Cinema e Teatro, no Brasil e no mundo, festejado internacionalmente como o Grande Ator que é, nos mais diferentes gêneros da arte de representar, do popular ao erudito. Há alguns anos eu e Ana levamos nossos/as filhos/as para aplaudi-lo – junto a grande elenco – no Rio de Janeiro em Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare. Um espetáculo! No intervalo, fui até ele que me reconheceu e nos abraçamos e jogamos conversa fora lembrando essas e outras coisas. Levou-me até onde estava Renata Sorrah e outros/as artistas e disse: Esse aqui é Helinho, amigo de Campos. Diz aí, Helinho, diz aí pra eles que não acreditam, EU JOGUEI BOLA OU NÂO JOGUEI EM CAMPOS? Eu então respondi que sim e era um craque, etc e tal, e que tinha jogada mortal, a jogada da Vaca Brava… ele riu e todos, riram. E aí tocou o sinal para recomeçar o espetáculo…

Salve, TONICO, orgulho de Campos dos Goytacazes!

Hélio Coelho é Professor Adjunto do Curso de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense UFF-Campos, da Academia Campista de Letras e Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, Ambiente e Políticas Públicas (PPGDAP) UFF-Campos.RJ. Da Associação de Autoras e Autores Campistas.

O NABALANCANF APENAS REPOSTA A NOTÍCIA QUE SE FEZ PÚBLICA SEM TECER QUALQUER COMENTÁRIO A RESPEITO DA MATÉRIA OU SE RESPONSABILIZAR PELA MESMA. TEM O CUNHO MERAMENTE INFORMATIVO.

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