Espetáculo destaca sinais e consequências da violência contra a mulher

Em 2025, foram contabilizadas 1.470 vítimas de feminicídio no Brasil, o maior número desde a tipificação do crime, em 2015. Diante desse cenário, o espetáculo O Último Dia, promovido pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), propõe uma reflexão sobre a violência contra a mulher ao abordar os relacionamentos abusivos. A peça, baseada no livro homônimo do presidente do Comitê de Promoção de Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação no 1º Grau de Jurisdição (Cogen– 1º Grau), desembargador Wagner Cinelli, em coautoria com Mariana Reade, estreou nesta terça-feira, 3 de março, na Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro.

Com direção de Paulo Reis, o espetáculo acompanha a trajetória de Luana, uma mulher envolvida em uma relação que, gradualmente, se transforma em um ciclo de controle, medo e violência. A narrativa evidencia que o abuso raramente surge de forma abrupta, instalando-se de maneira progressiva e silenciosa, muitas vezes naturalizada, até alcançar consequências irreversíveis.

Com atuações de Tainá Senna, Eduardo Hoffmann, Ana Carbatti e Julia Tupinambá, a dramatização é inspirada em histórias reais do cotidiano de milhares de mulheres. O Último Dia reforça que o feminicídio é o desfecho de uma sequência de abusos e que a violência não se limita ao ato final.

O presidente do Cogen – 1º Grau e autor do livro O Último Dia, desembargador Wagner Cinelli, destacou o trabalho conjunto com a jornalista Mariana Reade, reunindo duas perspectivas sobre o tema, a partir de vivências distintas: a dele, com a experiência profissional na área, e a dela, com a escrita e a visão jornalística. “Fizemos essa união literária, que foi escrever esse livro usando todas as perspectivas que nós tínhamos ao nosso alcance. Com as artes, a gente tem a possibilidade de tocar as pessoas, às vezes muito mais do que com palestras e outras atividades mais acadêmicas”, afirmou.

A magistrada responsável pelo CCPJ, desembargadora Cristiana Tereza Gaulia, destacou a importância do teatro como instrumento de reflexão e de visibilidade para problemáticas cotidianas. “O teatro permite que a gente sinta a dor, a alegria, a paixão, a raiva, tudo isso os atores passam. Quem vai ao teatro vive melhor, participa melhor e aprende a sentir, destacou.

A atriz Tainá Senna interpretou Luana, jovem que sofre em um relacionamento abusivo, no qual é violentada pelo marido. Ela destacou a relevância de apresentar a peça no TJRJ. “É muito simbólico estar fazendo essa peça agora, neste lugar, que é o Tribunal de Justiça. Com crescente número de feminicídios e de casos de violência, é muito simbólico trazer essa mensagem”, afirmou.

O ator Eduardo Hoffman interpreta Juca, o homem violento e abusivo da peça. Eduardo refletiu sobre o desafio de dar vida a um personagem que pratica crimes contra a própria esposa. “É um misto de sentimentos para mim. Ao mesmo tempo, não posso julgá-lo enquanto o interpreto, porque, se faço isso em cena, perco a credibilidade. Mas também preciso vivenciá-lo de forma crítica. Estou aqui como artista para mostrar uma realidade que vemos todos os dias”, afirmou.

Peça propõe uma reflexão sobre a violência contra a mulher ao abordar os relacionamentos abusivos

Outras apresentações

A montagem terá novas sessões nos dias 4, 10 e 11 de março, às 18h30, na Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto Moreira.

VS/ SF

Fotos: Rafael Oliveira/ TJRJ

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Fonte
TJRJ

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