Escola de Niterói recebe primeira atividade do Projeto Letrartes em 2026

A manhã desta segunda-feira, 6 de abril, não seguiu o roteiro comum de volta às aulas para os alunos do Colégio Estadual José Bonifácio – Intercultural Brasil-Itália, no bairro do Fonseca, em Niterói. Entusiasmados e cheios de energia, os jovens se reuniram no auditório da escola para uma atividade do Projeto Letrartes: Letras e Artes Pela Paz em Casa, comandada pelo desembargador Wagner Cinelli, idealizador e coordenador do projeto.

O Letrartes é uma iniciativa de caráter educacional, que visita escolas da rede pública de ensino e utiliza instrumentos culturais, como a arte e a literatura, para conversar com meninos e meninas em idade escolar sobre a prevenção de diferentes tipos de violência, dando ênfase para a conscientização sobre aqueles praticados contra mulheres. A ideia surgiu a partir da experiência do magistrado ao atuar em varas de competência criminal e de família e, para ele, o objetivo principal do projeto é alcançar o maior número de pessoas ao falar sobre prevenção.

“A violência sofrida pelas mulheres naqueles processos que passaram por mim despertou a minha atenção para essa questão grave, urgente, drástica, histórica. Então, a gente precisa muito falar sobre esse assunto, em todas as esferas, e o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro é muito preocupado com isso. Falar com a juventude é fundamental e, por meio de instrumentos como letras e artes, a gente consegue tocar muitas pessoas”, afirmou o desembargador.

Com mais de 100 anos de história, o C.E. José Bonifácio passou a fazer parte de um programa de escolas interculturais do Governo Estadual em 2025. Desde então, as turmas que vão do 6° ano do ensino fundamental até o 3° ano do ensino médio passaram a ter educação bilíngue, com aulas de italiano na grade curricular e atividades que promovem o intercâmbio cultural entre o Brasil e a Itália.

Na manhã de hoje, cada aluno das turmas selecionadas para a atividade recebeu um exemplar do livro O Último Dia, de autoria do desembargador Wagner Cinelli e da jornalista Mariana Reade, que trata da relação abusiva de um casal na qual a mulher é vítima de um longo ciclo de violências. Além de uma conversa sobre os tipos de violência e a atuação do Poder Judiciário sobre esses casos, os alunos também assistiram ao curta-metragem de animação Sobre Ela, outra obra que tem a violência contra a mulher como tema central.

A imagem mostra o desembargador Wagner Cinelli sentado em uma cadeira escolar azul, assinando um livro apoiado sobre uma pequena mesa. Ele veste camisa clara de mangas compridas e usa óculos, concentrado na dedicatória que escreve. Ao lado dele, há outras pessoas em pé, uma delas segurando um exemplar aberto, aguardando. À esquerda da cena, há um cartaz em tom rosado com a capa de um livro intitulado “O Último Dia”, ilustrado com uma ampulheta.

Alunos receberam dedicatórias nos exemplares do  livro O Último Dia, de autoria do desembargador Wagner Cinelli e da jornalista Mariana Reade

Para I., de 17 anos, que cursa o 2° ano do ensino médio, o encontro foi proveitoso e serviu como forma de orientação para que ela e outras colegas saibam a quem recorrer diante de uma situação de violência.

“Ter esse contato com literatura é muito importante para adquirir esse conhecimento e saber sobre situações mais complicadas, sobre qualquer tipo de violência, e conseguir se informar e saber a quem recorrer. Muitas pessoas não têm essa oportunidade, não sabem quais são os primeiros sinais de violência não sabem quem procurar. Por conta dessa onda de feminicídio no Brasil, a gente tá tendo muitas palestras e atividades sobre a violência contra a mulher. É uma coisa triste que acontece, mas é importante falar sobre e não deixar passar.”

O encerramento da atividade desta segunda colocou os alunos como protagonistas e contou com a participação de quatro voluntários para uma leitura encenada de alguns capítulos de O Último Dia. Um deles foi B., de 17 anos e aluno do 1° ano do ensino médio, que aprovou a abordagem realizada pelo Letrartes para debater problemas da sociedade.

“Eu acho interessante esse tipo de abordagem com relação a questionamentos específicos, falando de violência contra as mulheres e de outros temas, como o preconceito e o racismo também. E acho interessante deixar isso claro em forma de livro, pois você pode ler em um ou dois dias e, por ser uma história contada, aprender mais sobre a lei. É muito importante para as mulheres aqui do colégio, que vão ter consciência do que pode acontecer futuramente tendo relações com certos tipos de homens” , destacou.

PB*/SF

*Estagiário sob supervisão

Fotos: Felipe Cavalcanti/TJRJ

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TJRJ

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