Uenf em mãos femininas

Primeira reitora assume a direção da principal universidade do interior

Na terça-feira (19) Rosana Rodrigues foi eleita reitora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). No dia seguinte, na quarta-feira, a primeira mulher que irá assumir a reitoria da Universidade embarcou para Brasília, para uma reunião pré-agendada no Conselho Nacional de Desenvolvimento de Pesquisas e Tecnológicos (CNPq). Isso ilustra bem a agenda corrida que ela terá pelos próximos quatro anos.

Carioca formada em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. Concluiu o Mestrado em Fitotecnia na UFRRJ, Doutorado em Produção Vegetal na Uenf (1993-1997), e pós-doutorado em Biologia Molecular na Universityc of Flórida (2003-2004). É Cientista pela Faperj e bolsista de produtividade nível 1B do CNPq. Tem um currículo extenso que somente o Gloogle pode detalhar.

Rosana, que ainda está vice-reitora de Raul Palácio, em entrevista exclusiva ao J3NEWS, disse: “Posso garantir que se manterá na próxima gestão a valorização das pessoas, dos projetos inclusivos, do apoio às ações que fortaleçam o ensino na graduação e na pós-graduação, a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico”. Acrescentou que o campus vai continuar sendo o que definiu como maior parque da cidade, aberto a todos interagindo com a população.

Sobre a reforma do Arquivo Público Municipal, cujos recursos estão sob a tutela da Uenf ela cravou – “evidentemente temos todo interesse na recuperação deste importante espaço que é tombado pelo patrimônio histórico o mais rapidamente possível”.

Você foi, e ainda está, vice-reitora na gestão de Raul Palácio. Sua eleição significa a aprovação da gestão do Raul e a continuidade do estilo de governança universitária?

Entendo ser importante pontuar que a vice-reitoria veio numa sequência de experiências anteriores com gestão institucional. Antes, atuei como Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Coordenadora de Programa de Pós-Graduação, e assessora de dois diferentes pró-reitores de pesquisa, em reitorias diferentes. A eleição traz muito mais a marca de uma experiência em vários momentos diferentes na instituição, inclusive em épocas que foram muito marcantes, tanto pelo lado positivo quanto por aspectos como a crise orçamentária de 2016/2017, e a pandemia da covid-19. Enfrentamos todos esses desafios enquanto gestores. Naturalmente, por participar de tantas gestões lideradas por reitores diferentes, aprendemos a ter uma visão diversificada dos desafios e soluções. É claro que, como a presença na vice-reitoria é mais recente, essa é a experiência mais lembrada. É importante colocarmos que cada gestor tem um olhar institucional e sua maneira de liderar. Cada gestor imprime a sua contribuição pessoal e, portanto, pretendemos deixar um legado próprio para a instituição, a exemplo de todos os outros reitores. Como toda gestão, tivemos acertos e equívocos, ações que funcionaram muito bem e outras que precisam ser revistas, e isso é natural em qualquer instituição dinâmica como uma Uenf. Posso garantir que se manterá na próxima gestão a valorização das pessoas, dos projetos inclusivos, do apoio às ações que fortaleçam o ensino na graduação e na pós-graduação, a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico e a inovação. Ações como a manutenção do programa de assistência estudantil mais robusto do país, a aquisição e manutenção de equipamentos precisam ser consolidadas, ampliadas e aperfeiçoadas. O diálogo com a sociedade também não pode ser descontinuado. Ao contrário, deve ser ampliado e fortalecido.

O reitor Raul disse que existem dois projetos do Oscar Niemeyer guardados que ficariam para a próxima gestão. Isso está sendo pensado?

Os planos de fazer o campus Leonel Brizola crescer e realizar a implantação completa da obra arquitetônica de Niemeyer projetada para a UENF não sai dos planos institucionais. Será preciso viabilizar os recursos necessários para a realização desses projetos. Os contatos com o escritório que representa a obra do grande arquiteto brasileiro têm sido mantidos. Vamos perseguir este objetivo, junto com toda a comunidade universitária.

No dia seguinte de sua eleição a senhora estava em Brasília participando de uma reunião do CNPq. A Uenf está inserida definitivamente no contexto da ciência nacional?

Ao longo dos seus 30 anos a Uenf está consolidada no cenário nacional como uma grande instituição que abriga pesquisa e pesquisadores de grande relevância para o país. Esse reconhecimento aparece nos convites que recebemos para integrar comitês de excelência em diferentes agências de fomento para avaliação de projetos, também no número de bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, cientistas e jovens cientistas da Faperj, na aprovação de projetos, nas premiações de trabalhos em congressos nacionais e internacionais, por exemplo. A Uenf já abrigou diversas sociedades científicas, como a de Melhoramento de Plantas e de Fisiologia Vegetal. Além disso, nosso programa de bolsas de Iniciação Científica já foi reconhecido como o melhor do país pelo CNPq por três vezes. Temos 16 Programas de Pós-Graduação, todos eles bem avaliados pela Capes. Tudo isso com um fator que merece destaque, que é a interiorização e a popularização da ciência, que definitivamente vão contribuir para o desenvolvimento do nosso território, como fonte de produção de conhecimento.

A Uenf continua muito bem avaliação, no cenário das universidades públicas. A meta é ampliar essa visibilidade de excelência?

Sem dúvida, continuaremos investindo para que a Uenf consolide cada vez mais a sua marca associada à excelência e a qualidade em tudo o que faz, na produção de conhecimento e na formação de recursos humanos.

Ainda no curso das comemorações dos 30 anos da Uenf, a senhora vai perseguir a ideia do professor Darcy Ribeiro que queria que ela fosse “a universidade do Terceiro Milênio?”

A Uenf tem todas as condições para honrar o título que seu idealizador lhe concedeu. Precisamos trazer para a universidade um debate cada vez mais qualificado sobre a formação de pessoas, o desenvolvimento de inúmeras políticas públicas no âmbito das nossas ciências humanas, sobre a inovação e sua apropriação pela sociedade, por exemplo, além de uma modernização da infraestrutura das salas de aula e ferramentas inovadoras de gestão, com valorização e gestão de pessoas, de forma a realizarmos o que Brizola desejava: fazer uma instituição capaz de tornar as pessoas felizes.

Quando a senhora assumirá a reitoria e quais serão os primeiros itens da agenda?

Assumiremos no dia primeiro de janeiro. Mas, sem dúvida a partir das próximas semanas vamos iniciar muitas conversas com a comunidade acadêmica, pois os desafios são grandes e queremos contar com ampla contribuição da nossa comunidade. A Uenf é uma só e faremos uma gestão para toda a comunidade.

A senhora, como professora e pesquisadora, tem, pelo que consta, uma boa relação com o corpo docente. Pretende estreitar ainda mais esse relacionamento?

Sem dúvida. Temos em nosso plano de gestão a manutenção do apoio aos docentes, tanto na aquisição de equipamentos, quanto na manutenção dos grandes equipamentos. Além disso, um apoio e olhar diferenciado aos jovens doutores que acabaram de ingressar em nosso quadro, como docentes. Temos propostas específicas para apoiar grupos emergentes e consolidados, por exemplo. Vamos conversar com todos/as para viabilizarmos a implantação de novos programas de apoio e incentivo, e identificar novas demandas de nossos pares.

Estamos quase na metade da década, e existe a previsão de um boom de crescimento da economia de Campos, no setor do petróleo, que vai demandar muita coisa da universidade. A Uenf vem se preparando para esse desafio?

A Uenf desenvolve uma série de ações na pesquisa e na formação de recursos humanos que a habilita a ser um agente transformador ativo e de alta relevância pata atender às grandes questões da sociedade, seja pelo ângulo do desenvolvimento econômico, ambiental ou social. Nós – enquanto gestores – apoiaremos todas as ações de nossa comunidade universitária para estarmos sempre em condições de atender as demandas da sociedade.

Existe algum projeto para aproximar ainda mais a Uenf da população em áreas do campus?

Neste momento foram iniciadas as obras de acessibilidade no campus Leonel Brizola, que hoje é muito utilizado pela população nos seus momentos de lazer durante os finais de semana e feriados. O nosso campus se transformou no maior parque da cidade, e temos muita alegria de ver a comunidade interagindo em nosso espaço durante momentos felizes com familiares e amigos. Com espaços mais acessíveis entendemos que a frequência de pessoas deve aumentar. Precisamos preparar o campus para receber essas pessoas com as melhores condições, por exemplo, com a instalação de lixeiras em locais adequados, sinalização, e outras condições otimizadas de infraestrutura. É um espaço com caráter de afetividade para a população e isso deve ser valorizado.

Uma pergunta inevitável. Existe a questão da reforma do Arquivo Público Municipal, cuja verba está sob a responsabilidade da universidade. Esse tema terá prioridade?

Evidentemente temos todo interesse na recuperação deste importante espaço que é tombado pelo patrimônio histórico o mais rapidamente possível. É imprescindível seguirmos todos os ritos legais demandados para as instituições públicas, e isso nem sempre nos dá a possibilidade de seguirmos os trâmites mais rápidos. Mas, seguimos com o compromisso de atender a essa demanda justa da comunidade de Campos e região, que é termos o Arquivo funcionando, totalmente recuperado e em segurança para as pessoas e para as obras no menor espaço de tempo possível.

O NABALANCANF APENAS REPOSTA A NOTÍCIA QUE SE FEZ PÚBLICA SEM TECER QUALQUER COMENTÁRIO A RESPEITO DA MATÉRIA OU SE RESPONSABILIZAR PELA MESMA. TEM O CUNHO MERAMENTE INFORMATIVO.
Via
POR ALOYSIO BALBI
Fonte
JORNAL TERCEIRA VIA

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