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Mesmo com água líquida, a vida como a conhecemos pode ser impossível em Marte

A presença de água líquida em um planeta pode ser um indício de que por lá exista também alguma forma de vida. Marte, por exemplo, apresenta muitas evidências de que já houve rios e lagos no passado, e algumas observações recentes apontam que ainda pode haver água líquida nos dias de hoje, escondida em lugares estratégicos pelo planeta. No entanto, um novo artigo mostra que, mesmo assim, o Planeta Vermelho não parece ser um ambiente adequado para a vida que conhecemos.

Edgard G. Rivera-Valentín, principal autor da pesquisa, afirma que sua equipe investigou a distribuição e a química de líquidos estáveis ​​em Marte para descobrir se tais ambientes seriam capazes de sustentar pelo menos um organismo terrestre conhecido.

Acontece que, além das baixas temperaturas, o planeta apresenta condições extremamente secas, de modo que se uma gota de água líquida fosse colocada por lá, congelaria, ferveria ou evaporaria quase instantaneamente – a menos que a gota contenha sais dissolvidos. Nesse caso, teríamos uma água salgada, ou salmoura, que exigiria temperaturas mais baixas para congelar e evaporaria a uma taxa mais lenta que a água líquida pura.

Sais podem ser encontrados em Marte, então é possível que salmouras formem na superfície marciana. Na verdade, há até registros delas se formando no suporte da sonda Phoenix, da NASA, que pousou próximo ao polo norte marciano em 2008. Além disso, alguns sais marcianos podem sofrer um processo chamado deliquescência, que é quando o sal absorve a água da atmosfera para se tornar um líquido salgado.

A sonda Phoenix, da NASA, que detectou a formação de salmouras sobre si (Imagem: NASA/JPL/Corby Waste)

Através de experimentos em laboratórios que simulam o ambiente de Marte, a equipe desenvolveu um modelo para prever onde, quando e por quanto tempo as salmouras são estáveis ​​na superfície do Planeta Vermelho. Eles descobriram que a formação de salmoura a partir de alguns sais pode levar a água líquida em mais de 40% da superfície. O prolema é que isso pode acorrer apenas durante 2% do ano marciano.

Além disso, a temperatura mais alta que uma salmoura estável terá em Marte é de -48 °C, o que está bem abaixo da temperatura mínima que a vida que conhecemos pode sobreviver. Esses resultados, embora não sejam conclusivos, significam que se houver algum tipo de vida marciana, deve ser algo diferente do que conhecemos aqui na Terra.

Para conclusões mais concretas, será necessário estudar a superfície de Marte com mais detalhes. A próxima missão da NASA no Planeta Vermelho, a Mars 2020, fará isso na cratera Jezero, com o objetivo de procurar bioassinaturas por lá. Se nenhuma forma de vida existente nos dias de hoje for encontrada, significa que a presença humana no futuro não levará riscos de contaminação para espécies interplanetárias.

Fonte
canaltech
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