Evento vai marcar desocupação de casa que precisará ser demolida em Atafona

Após 42 anos, Sônia Ferreira vai precisar deixar a residência, por causa do avanço do mar

Uma casa, o mar, muitas histórias e muita saudade. Assim podemos descrever a residência de Sônia Ferreira, na praia de Atafona, em São João da Barra. Após 42 anos, a casa que foi palco de muitos momentos especiais para a família Ferreira e de muitas festas, que reuniam amigos vai ser demolida. O avanço do mar não deixou outra opção. Para marcar essa passagem, os amigos decidiram fazer um evento neste sábado (21), e logo após haverá o desmonte da casa, que já foi desocupada. O evento denominado Memória em Moinho vai acontecer às 19h e haverá a exibição dos filmes Mar Concreto e Museu Ambulante.

A ameaça do mar vem de longa data, mas nos últimos anos, o avanço foi muito mais rápido. Da construção, na época em que foi feita, nem era possível ver o mar, havia dois quarteirões à frente, além do Hotel do Julinho, que era um prédio grande, que cobria a visão. Hoje a areia cobriu todo o terreno, e mesmo com a colocação de tapumes, não foi possível conter o avanço, que expulsou a moradora do local. “Nós fizemos outra casa, nos fundos, já retirei minhas coisas, seja uma hora que a gente não pode mais resistir, tenho pedido muita força a Deus pra esse momento que está chegando, que será a demolição, mas não há outro jeito, se tornou perigoso”, diz a proprietária.

Sônia Ferreira (Foto: Rede social)

Sônia chama atenção para o fenômeno natural do avanço do mar estar num processo mais acelerado. “Antes nós tínhamos muito bem definidas as épocas em que ocorria maré alta, era em março e agosto, agora praticamente todo mês tem ressaca, a maré sobe, nos últimos anos o avanço foi rápido demais”, relata.

A proprietária que sempre foi conhecida como grande anfitriã, se emociona ao lembrar dos momentos especiais vividos na residência. “Cada cantinho dessa casa guarda uma historia, guarda momentos vividos, principalmente por aqueles que nós não temos mais fisicamente conosco, eu olho para um local e me lembro de um dia especial, de uma pessoa que não está mais aqui comigo, mas o lugar me permite relembrar, sem isso vai ser duro, mas eu estou recebendo muita força dos amigos, de gente que está ao meu lado o tempo todo”, diz Sônia.

A despedida
O Filme Mar Concreto, que será exibido no evento, traz o testemunho de Sônia Ferreira sobre a história da crise ambiental que vive Atafona. Ele tem a direção de Julia Naidin, pesquisa de Fernando Codeço e   foi produzido pela Casa Duna. O filme já foi exibido em festivais na Grécia, Paris, Canadá e na Turquia.

Também haverá outras apresentações artísticas durante a noite. Após esse encontro, a casa será desmontada e posteriormente demolida.

Atafona já teve dezenas de quarteirões levados pelo mar desde o final da década de 60, quando começou o fenômeno que segundo a prefeitura, já destruiu mais de 500 casas e estabelecimentos comerciais, deixando centenas de famílias desabrigadas.

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Fonte
JORNAL TERCEIRA VIA

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